Publicado em: 22 de outubro de 2013

Ministro das Relações Exteriores prevê ampla participação de representantes de ONGs e outros atores da sociedade civil na política externa

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O novo ministro Luiz Alberto Figueiredo (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Menos de dois meses após largar às pressas o posto de embaixador do Brasil na ONU, em Nova York, para assumir o Ministério das Relações Exteriores, o diplomata Luiz Alberto Figueiredo começa a adotar uma nova linha de atuação na política externa brasileira. Em articulação com o Palácio do Planalto, Figueiredo quer turbinar a área de direitos humanos. Temas como trabalho infantil, direitos LGBT, idosos, prisões, mulheres e outras questões sociais passam, agora, ao topo das prioridades.

O chanceler almeja, dentre outras coisas, fazer do Brasil uma ponte para facilitar a adesão de países pobres e emergentes a causas que, até então, são consideradas pautas restritas ao mundo desenvolvido. A estratégia também prevê o fortalecimento da equipe de negociadores brasileiros, com grupos formados não apenas por diplomatas, mas com ampla participação de representantes de outros órgãos do governo, ONGs e atores da sociedade civil.

O ministro não quer diplomacia e sim política externa, que é de Estado — disse uma fonte. A interlocutores próximos, Figueiredo afirma que a atuação do Brasil na política externa não deve se resumir à agenda diplomática clássica, que trata de paz e segurança internacional.

 

Debate sobre direitos LGBT e discriminação devem entrar na agenda internacional

Em uma avaliação reservada, o governo afirma que o Brasil é reconhecido internacionalmente como referência na área social. Entende, porém, que é preciso se voltar à agenda nova, que abrange temas sociais, os que tratam de proteção e governança da internet e desenvolvimento sustentável. O governo tem se mostrado exitoso em temas como meio ambiente e programas de transferência de renda, como o premiado Bolsa Família. Por isso, os sinais de que a política externa ganhará uma nova vertente já estão sendo dados pelo chanceler.

Entre os exemplos, passou praticamente despercebida, no mês passado, a participação de Figueiredo em um painel de discussões contra a violência e a discriminação contra pessoas LGBT, em um evento paralelo à assembleia das Nações Unidas. O ministro fez um amplo discurso mostrando os avanços do Brasil em relação ao tema. Na semana passada, ele fez questão de comparecer a um seminário sobre trabalho infantil, em Brasília.

— Há países onde os direitos humanos não são respeitados. O papel do Brasil, ao construir pontes e desconstruir focos de resistência, é importante — disse uma graduada fonte do governo brasileiro.

Fonte: O Globo