Publicado em: 27 de julho de 2018

‘É importante sempre termos claro que no capitalismo o alimento é uma mercadoria onde o processo de disseminação e comercialização é monopolizado por empresas ligadas ao capital internacional’, diz participante de seminário nacional sobre estratégia camponesa

Por Movimento dos Pequenos Agricultores

O Seminário Nacional sobre “Estratégia Camponesa: para enfrentar o Golpe e o Agronegócio” que está acontecendo no Centro de Formação Paulo Freire – Caruaru (PE), começou no dia 23 de julho e segue até esta sexta-feira (27), com o objetivo de fortalecer o debate da produção de alimento saudável e a relação entre camponeses(as) e os trabalhadores(as) urbanos, fortalecer a Aliança Camponesa e Operária.

Seguindo o passo a passo da discussão na plenária até esta sexta-feira (27), primeiro foi preciso identificar o que unifica os trabalhadores, as mulheres camponeses e urbanas e apontar os desafios que implica nesta relação. Um dos elementos abordados trouxe a questão do alimento saudável como sendo o fator para a aliança deste público.

Segundo a participante do evento Inês Oliveira, “esta atividade afirma a importância de os camponeses poderem comercializar seus produtos diretamente para as pessoas da cidade. Que eles possam produzir alimentos de qualidade sem agrotóxicos e diversificado, para isso, a semente não pode ser hibrida deve ser semente crioula, raças e mudas. E para que os camponeses possam avançar nesta proposta é preciso a criação e fortalecimento de políticas públicas.”

O debate seguiu em linhas gerais, trazendo a reflexão de como é possível consolidar a relação camponeses-operários, e os apontamentos trouxeram a partir do que está sendo feito pelos camponeses e camponesas em várias partes do país, como as feiras camponesas e os espaços de comercialização como por exemplo, Raízes do Brasil e Mercado Popular de Alimento, são fundamentais para esse canal de comercialização direta.

Nas palavras de Humberto Palmeiras, que está participando do seminário, “é importante sempre termos claro que no capitalismo o alimento é uma mercadoria onde o processo de disseminação e comercialização é monopolizado por empresas ligadas ao capital internacional. Isso remete aos participantes debater não apenas a produção de alimentos e se desafiar a construir o chamado de abastecimento popular. Para isso é necessário construir aliança com os trabalhadores da cidade. Portanto, a produção de alimento deve estar ligada diretamente com o abastecimento em aliança com os trabalhadores. A aliança campo e cidade é uma necessidade histórica da classe trabalhadora, em momento de ofensiva do capital temos que estar juntos.”

Por fim, mulheres, homens e crianças durante o seminário estão podendo degustar de alimentos saudáveis e diversificado, vários produzidos por camponesas da região onde o evento está sendo realizado, mas também, com a diversidade dos demais Estados, já que cada participante do evento trouxe algum alimento característico de sua região para compartilhar no Seminário.

(Foto: Adilvane Spezia | MPA)