Publicado em: 26 de julho de 2018

Cinco meses após a presença do exército, houve aumento das taxas de letalidade, tiroteios e chacinas em todo o estado

Por Rede Brasil Atual

A intervenção federal no Rio de Janeiro, iniciada em fevereiro, não conseguiu conter a insegurança no estado e ainda provocou o aumento da violência nas favelas e na periferia. A conclusão é da Comissão Popular da Verdade, que divulgou o relatório denunciando a situação de militarização, nesta quarta-feira (25).

O documento aponta o aumento das taxas de letalidade, tiroteios e chacinas em todo o território fluminense, principalmente nas periferias e favelas dos centros urbanos. “Muito próximo às escolas do Campus Maré 2 e a creche na Vila dos Pinheiros registramos mais de 100 marcas de tiros no chão”, relata Marcelo Dias, do Movimento Negro Unificado.

O número de tiroteios, por exemplo, cresceu 60% nos meses de intervenção, em relação ao mesmo período do ano passado, somando 4.005 registros em 2018, frente aos 2.503 registros em 2017. “Observa-se também um aumento de 53% nas mortes ocasionadas em ações policiais. Salta de 125 casos para 191 dados”, conta a líder comunitária do Jacarezinho, Fabíola Alves.

Segundo o texto publicado, os dados apontam que, após cinco meses de intervenção, o combate à violência não melhorou. As conclusões apontam para o agravamento de uma situação que já era preocupante antes da chegada das forças armadas. “O que nós temos assistido é um aumento da violência, principalmente nas periferias. Às vezes, nas favelas, a gente nem consegue tomar muito conhecimento porque a coisa é escondida”, lamenta Dilceia Quintela, integrante da comissão.

A Federação das Organizações de Moradores de Favelas considera que a solução para a violência não passa pela militarização. Já a mãe da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março, prestou solidariedade e lembrou do posicionamento da parlamentar. “Ela falava que não queria que a intervenção fosse nesse nível, ela estava lutando contra isso, para ser de uma maneira clara, mas foi uma vítima”, afirma Mônica Cunha.

A Comissão Popular da Verdade tenta, sem sucesso, entregar as conclusões para o interventor e pretende denunciar que o caos na segurança é de responsabilidade do governo Temer. “Esse relatório além de ser encaminhado às comissões do Legislativo para que possam fazer alguma coisa”, acrescenta Virgínia Berriel, também integrante da comissão.

(Foto: Flora Castro/Brasil de Fato)