Publicado em: 6 de outubro de 2014

Manifestação, que percorreu o centro de SP, também pediu o fim do encarceramento em massa; 111 velas foram acesas em memória às vítimas do Massacre do Carandiru que, ontem(2), completou 22 anos

Centenas de pessoas foram às ruas da cidade de São Paulo, nesta quinta-feira (2), em memória dos 111 mortos do episódio que ficou conhecido mundialmente como o Massacre do Carandiru. O ato, que também pediu o fim do encarceramento em massa,  contou com cerca de 700 pessoas, saiu da estação de trem da Luz e foi até a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), no centro. Os manifestantes acenderam 111 velas em memória às vítimas da chacina que completou ontem 22 anos.

Apesar do forte aparato da Polícia Militar, o trajeto, que durou cerca de três horas, foi pacífico. Durante o percurso, houve intervenções artísticas, com grupos de teatro e rap.

De acordo com Camila Melo, integrante da Rede Dois de Outubro, um dos movimentos que organizou a manifestação, além de rememorar o massacre do Carandiru, o ato também teve como objetivo “denunciar os massacres atuais”.

“O principal objetivo do ato é resgatar o massacre do Carandiru, trazer isso como memória para que não se perca e denunciar os massacres da democracia. A gente fala muito do resgate da ditadura, mas a gente também tem que olhar que a ditadura continua. Ela tem uns respingos grandes nessa democracia, nessa falsa democracia”, explicou.

Um episódio que ficou marcado na democracia brasileira e que se enquadra na fala de Camila foram os Crimes de Maio de 2006. Na época, cerca de 500 pessoas foram assassinadas em apenas oito dias no Estado de São Paulo. O movimento Mães de Maio, formado por familiares das vítimas, denuncia que a maioria dos assassinatos foi cometida por grupos de extermínio formado por policias militares.

“Os massacres não terminaram com a história do Carandiru. Eles saíram de dentro dos presídios e tomaram conta das periferias. Isso é inaceitável. Nós estamos aqui conclamando pelas Mães de Maio e pelas Mães do Cárcere, porque os nossos mortos têm voz”, disse Débora Maria, coordenadora do movimento.

Os manifestantes também lembraram do camelô Carlos Augusto Muniz Braga, morto com um tiro na cabeça efetuado por um PM no dia 18 de setembro. O crime ocorreu durante a Operação Delegada para apreender mercadorias ilegais na Lapa, zona oeste de São Paulo.

Massacre do Carandiru

O caso ocorreu em 2 de outubro de 1992, quando pelo menos 111 presos foram executados pela Tropa de Choque da Polícia Militar de São Paulo, durante a contenção de uma rebelião. Mais de 300 agentes do Estado participaram da operação, comandada pelo Coronel Ubiratan. Ao final de quatro júris, 73 policiais foram condenados por 77 mortes.

Inaugurado em 1920, o Carandiru chegou a conter mais de 8 mil presos, sendo reconhecido como o maior presídio da América Latina. Quando encerrou as atividades, tinha população semelhante ou superior a de 259 dos 645 municípios paulistas.

Fonte: Brasil de Fato

Fotos: Agnaldo Basílio