Publicado em: 1 de novembro de 2016

Edital foi lançado em Seminário que reuniu cerca de 250 participantes; debate destacou a necessidade de iniciativas e projetos de combate à desigualdade racial

Foto: Instituto Unibanco
Foto: Instituto Unibanco

O Baobá – Fundo para Equidade Racial, Instituto Unibanco e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) lançaram nesta segunda-feira (24/10), em São Paulo, a segunda edição do Edital Gestão Escolar para a Equidade – Juventude Negra, durante seminário realizado na Praça das Artes, no centro da capital paulista, que reuniu mais de 250 participantes e 13 palestrantes dentre especialistas, gestores e estudantes envolvidos com o tema da desigualdade racial. O edital irá selecionar práticas de gestão escolar voltadas para promover a equidade racial em escolas públicas do Ensino Médio.

O edital e o seminário são iniciativas do Baobá – Fundo para Equidade Racial, Instituto Unibanco e UFSCar que, desde 2014, abriram uma frente de diálogo e de troca de experiências para fomentar práticas de equidade racial no Ensino Médio público. Com o edital, as instituições pretendem identificar, reconhecer e acompanhar projetos com foco na gestão escolar que possam contribuir para o desenvolvimento e a implementação de práticas capazes de elevar os resultados educacionais dos jovens negros e negras do Ensino Médio. As instituições darão apoio técnico aos projetos escolhidos que receberão, cada um, até R$ 35 mil para desenvolver as propostas ao longo de 2017. As inscrições podem ser feitas até 30 de novembro pelo site http://www.institutounibanco.org.br/juventude-negra. Todos os projetos, obrigatoriamente, têm de ser realizados em escolas públicas e podem contar com apoio de universidades ou organizações sociais.

Durante o seminário, o superintendente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, destacou o objetivo principal do edital, que é fomentar o diálogo entre os grupos envolvidos com o tema de equidade racial no sentido de promover práticas e iniciativas que possam ser replicadas, futuramente, como política pública e em larga escala. “Nossa ambição é, nesse pequeno experimento, produzir bens públicos que gerem resultados imediatos e, ao mesmo tempo, criem soluções que possam ser conduzidas para o campo da política pública”, afirmou Henriques. “O que a gente está realizando é uma expansão da nossa parceria que dialogue com outras instituições, com os movimentos sociais, com as universidades e, sobretudo, com as redes públicas do Ensino Médio para que a gente consiga fazer esse movimento de criar soluções concretas, com potência de transformação da educação”, completou ele, durante o lançamento do edital nesta segunda-feira.

A possibilidade de replicar práticas incentivadas pelo edital foi destacada pelo professor Hélio Santos, presidente do Conselho do Baobá – Fundo para Equidade Racial. “Estamos apostando na produção de modelos de gestão que possam ser replicados pelo Estado”, afirmou.

O professor Valter Silvério, da UFSCar, também frisou a relevância do edital para a juventude negra que está no Ensino Médio. Ele lembrou que os resultados das ações afirmativas no ensino superior, por exemplo, estão indicando que as cotas raciais contribuíram para reduzir a desigualdade e derrubar mitos de que incentivos para a presença do negro na universidade afetaria o desempenho dos estudantes. “O que se nega à juventude negra é a possibilidade de se perceber como sujeito da própria história”, afirmou. “Na década de 1980, apenas 7% dos professores de História sabiam da existência de Zumbi. E hoje estamos aqui lançando esse edital para a juventude negra. Muita coisa mudou. Mas o Brasil ainda precisa avançar nesta questão”.

Sueli Carneiro, conselheira do Baobá, também destacou a importância do edital e da iniciativa das instituições. “Esse edital se reveste de maior importância ao considerar o retrocesso na política atual, em especial na educação. No cotidiano das creches, escolas e universidades o racismo se apresenta muitas vezes de forma silenciosa e impacta na aprendizagem e no desenvolvimento dos meninos e jovens negros”, afirmou ela.

No Seminário Gestão Escolar para a Equidade – Juventude Negra os participantes ainda ressaltaram a necessidade de diálogo para se construir uma escola e uma sociedade com menos desigualdade racial. “As ocupações das escolas trazem a perspectiva de se pensar em um ambiente que permite o estudante estar presente em discussões sobre a gestão escolar”, afirmou a secretária de Educação de Minas Gerais, Macaé Maria Evaristo dos Santos, uma das palestrantes do evento.

Fonte: Instituto Unibanco