Publicado em: 2 de agosto de 2013

O chamado “recesso branco” do Congresso Nacional abaixou a temperatura da política institucional na segunda metade de julho. Ao mesmo tempo, pode servir para que a chamada “agenda positiva” desenvolvida pelos parlamentares para responder às manifestações de junho seja cada vez mais deixada de lado.

Novas pesquisas de opinião reafirmaram o descrédito da classe política. A baixa popularidade atinge Congresso Nacional, da presidenta Dilma Rousseff (aqui e aqui) e de governadores, com destaque negativo para o fluminense Sérgio Cabral, com apenas 12% de avaliações positivas (Dilma também tem sua pior avaliação no Rio, com 19%). Importante nome do PSDB, Geraldo Alckmin também possui índices baixos, com apenas 26% de ótimo/bom.

A má avaliação atinge políticos de todos os partidos, da oposição e situação, sendo os únicos valorizados personalidades vistas como menos próximas do mundo político-partidário, como Marina Silva (ainda que sua história mostre o contrario) e Joaquim Barbosa. O governador pernambucano Eduardo Campos, presidenciável do PSB, sai fortalecido como o governador melhor avaliado, com 58% de ótimo/bom, mas ao vê essa visão se refletir nas perspectivas eleitorais, onde patina em torno dos 5%.

Mesmo com as pesquisas apontando problemas, a presidenta decidiu não ceder às pressões de oposição e aliados e manter intocada sua equipe de ministros. Dilma parece apostar nas respostas que deu para a crise, especialmente o plebiscito pela reforma política (que recebe grande apoio da população nas pesquisas) e o programa Mais Médicos, que enfrenta forte oposição da categoria médica e cuja Medida Provisória será apreciada pelo Congresso após o recesso.

Visita do papa Francisco

O noticiário da última semana foi tomado pela visita do papa Francisco ao país, para a Jornada Mundial da Juventude. O papa deu mensagens de combate à corrupção, muito destacada, e à desigualdade (aqui e aqui), que recebeu muito menos atenção da grande imprensa, que mantém seu esforço constante em desqualificar a classe política.

Além disso, o papa deu declarações que podem pautar debates sobre temas relevantes: declarou-se contrário à descriminalização das drogas edisse não estar em condições de julgar gays que busquem a fé católica, em postura forte para a conservadora cúpula da Igreja Católica. Os direitos das mulheres foram deixados de lado pelo discurso papal.

Pesquisas entre os peregrinos da JMJ dão sinais animadores de apoio dos jovens católicos ao uso da pílula do dia seguinte e à união homoafetiva. Além disso, 62% dos jovens afirmaram discordar, totalmente ou em parte, também da prisão de uma mulher que tenha precisado recorrer ao aborto. A base da Igreja parece mais avançada do que seus líderes.