Publicado em: 24 de agosto de 2018

O cultivo de abelhas é uma alternativa para ampliar a renda das famílias que dependem do mangue durante a época de reprodução do caranguejo

Por Lorena Alves, do Observatório

Catadores da comunidade de Gameleira da Barra Nova, em São Mateus (ES), descobriram nova atividade econômica nos manguezais: a produção de mel. O cultivo de abelhas tornou-se uma alternativa para ampliar a renda das famílias que dependem do mangue durante a época de reprodução do caranguejo. A prática é também uma forma de cuidado e preservação do local.

A ideia partiu de um projeto do Instituto Goiamum, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), dedicada principalmente à proteção dos manguezais com a colaboração das pessoas que vivem de seus recursos. Treze famílias construíram as primeiras colmeias artesanais em 2011. Os catadores de caranguejo fizeram cursos para aprender a localizar abelhas, separar os favos, e produzir mel. Eles fazem a captura do mangue com macacão, máscara, luva e pó de serra.

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Frank Capucho, técnico em apicultura e responsável pelo projeto, em entrevista à Gazeta Online, destacou: “pelo menos quatro vezes ao ano a cata do caranguejo fica interrompida. Isso representa 90 dias sem trabalho para os catadores. Nesses chamados períodos de proteção, a renda do trabalhador fica ainda mais ameaçada, e é aí que a apicultura ganha mais importância.”

Acima do esperado

Inicialmente, o resultado esperado era que cada participante pudesse auferir uma média de R$ 800,00 por mês praticando apicultura por cerca de dois dias por mês. No entanto, após 3 anos de projeto, muitos conseguem até R$ 2.400,00 (média mensal) e alguns até abandonaram a cata de caranguejo e se dedicam agora muito mais à apicultura.

(Foto: Instituto Goiamum)

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O projeto “Apicultura no manguezal integra o Banco de Práticas Alternativas, uma iniciativa da Abong em parceria com o Iser Assessoria integrante do Projeto Novos Paradigmas de Desenvolvimento – pensar, propor, difundir.

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