Publicado em: 6 de setembro de 2016

Secretaria de Segurança Pública indiciou jovens por ‘associação criminosa’ e ‘corrupção de menores’

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Alguns jovens foram presos antes de participarem do ato que reuniu 100 mil pessoas na Avenida Paulista/ ROBERTO PARIZOTTI/CUT

São Paulo – “Estão indiciando os meninos por carregar lenços e vinagres. Alguém é preso por isso? Pelo amor de Deus, é preciso ter humanidade”, afirmou Rosana Cunha, mãe de Gabriel, detido pela Polícia Militar ontem (5), às 15h, no Centro Cultural São Paulo, na Rua Vergueiro. No total, 22 jovens foram detidos antes da manifestação da Avenida Paulista, que começou às 16h30. O ato reuniu 100 mil pessoas para reivindicar a saída de Michel Temer (PMDB) da presidência e a realização de novas eleições diretas.

“Meu filho tem 18 anos e estava indo para o ato, é um direito de todo cidadão. Ele passou no Centro Cultural para encontrar um amigo, mas o pessoal que foi preso não se conhecia, foram pegos de surpresa. Um menino estava na mesa fazendo trabalho de faculdade e foi preso”, disse Rosana em vídeo publicado pelo Esquerda Diário. Na tarde de hoje, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) anunciou que os 16 maiores de idade detidos foram indiciados por associação criminosa e corrupção de menores. Ao final do ato, a PM contabilizou 26 presos.

“Eles ainda alegam que encontraram armas brancas nas mochilas. Mas apenas quatro deles estavam com mochilas, como eles iam levar armas para 22 pessoas? A maioria estava sem mochila, e na verdade, não tinha nada nas mochilas além de lenços e vinagre”, disse. A SSP informa em nota que foram encontradas câmeras, celulares, toucas e estilingues. Em contrapartida, movimentos sociais e advogados acusam a PM de plantar os objetos para incriminar os jovens.

“Estou chocada como todos os pais. Não estamos entendendo. Eu eduquei meus filhos para que eles tomem atitudes e sejam responsáveis. Então, o cidadão tem o direito de defender o que acredita. E não estamos podendo fazer isso. Como assim? Por quê?”, afirmou Rosana. “Minha única vontade é de chorar e gritar para que todos ouçam o que aconteceu com meu filho. Amanhã pode ser com qualquer um. Quer dizer que se manifestar agora é crime?”, disse emocionada.

A Frente Povo sem Medo, organização de movimentos sociais que vem convocado manifestações contra Temer e por eleições diretas, se manifestou ontem pelas redes sociais sobre as prisões. “A polícia prendeu de forma arbitrária 26 jovens sob acusação que ‘pretendiam praticar atos de violência’ É escandaloso. Vários deles são menores. Foram levados para o Deic e permanecem lá sem a possibilidade de contato com os pais e advogados (…) É fundamental uma ampla pressão para a libertação imediata deles.”

Fonte: Rede Brasil Atual