Publicado em: 8 de julho de 2020
Clerizia Pantaleão beneficia sementes de tingui no Projeto de Assentamento Jaraguá (MT)

 
Iniciativa foi escolhida entre mais de 200 propostas de todo o mundo. Com 13 anos de história, é a maior rede de sementes nativas no Brasil

 

A Rede de Sementes do Xingu está entre os 11 vencedores do Ashden Awards 2020, prêmio internacional para soluções climáticas. A rede foi escolhida entre mais de 200 propostas de todo o mundo.

O prêmio é concedido anualmente pela Ashden, organização baseada no Reino Unido que dá visibilidade e apoio a iniciativas inovadoras nos campos do clima e energia em todo o mundo – incluindo empresas, organizações não-governamentais e do setor público que estão entregando soluções comprovadas.

Os vencedores recebem um prêmio em dinheiro, apoio ao desenvolvimento da iniciativa e a oportunidade de conectar com investidores do setor de energia e clima.

“Essas organizações fazem mais que reduzir emissões – elas criam novos empregos, melhoram a saúde e reduzem a desigualdade. Elas são o rosto do futuro”, disse Harriet Lamb, CEO da Ashden.

“É um reconhecimento da iniciativa e do trabalho feito ao longo desses 13 anos de existência”, comemora Bruna Ferreira, diretora da Associação Rede de Sementes do Xingu.

A Rede de Sementes do Xingu é composta por 568 coletores indígenas, urbanos e agricultores familiares, em sua maioria mulheres, e se consolidou como a maior rede de comercialização de sementes nativas no Brasil.

Em mais de dez anos de trabalho, a rede e seus parceiros recuperaram 6,6 mil hectares de áreas degradadas na bacia do Xingu e Araguaia e outras regiões de Cerrado e Amazônia. Para isso, foram utilizadas mais de 221 toneladas de sementes de 220 espécies nativas.

A iniciativa já é uma referência para a produção comunitária de sementes no Brasil. “É uma alternativa de renda que vem da floresta, valorizando a diversidade ambiental e cultural. No contexto de emergência climática, a Rede de Sementes é o nosso maior exemplo de um futuro possível”, ressalta Ferreira.

A Rede de Sementes do Xingu tem o apoio da União Europeia, Conservação Internacional, Partnerships for Forests (P4F), Funbio, Instituto Bacuri, Rainforest Foundation Norway, DGM, Good Energies, PPP Ecos/ISPN, e Amaz.

 

Coletora Yarang beneficia das sementes de murici-da-mata, Território Indígena do Xingu (MT)

Ações de enfrentamento à Covid-19

Reconhecidas por suas soluções climáticas inovadoras, muitos dos finalistas e vencedores do Ashden Awards foram também parabenizados pelas respostas rápidas e efetivas à pandemia da Covid-19, incluindo a Rede de Sementes do Xingu.

Com o avanço da Covid-19 no Brasil, a Rede de Sementes tem atuado para garantir a saúde e segurança dos coletores e equipe. Kits de higiene e proteção, além de materiais para beneficiamento das sementes foram enviados na última semana.

A coleta de sementes segue dentro de cada núcleo familiar ou aldeia, e a entrega será feita com agendamento, para evitar aglomerações. A fim de assegurar a sustentabilidade financeira e o isolamento dos associados, a Rede vai realizar o pagamento antecipado de 21 toneladas das sementes e estendeu o valor do Fundo Rotativo, fundo de crédito destinado aos coletores.

Ainda assim, foram registrados ao menos cinco casos e uma morte por Covid-19 – a de Mônica Renhinhãi’õ (foto abaixo) – entre as mulheres coletoras Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé. A TI já contabilizava, até o fechamento deste texto, 25 casos e três óbitos.

Mônica Renhinhãi’õ, coletora Xavante da Terra Indígena Marãiwatsédé (MT)

 

O grupo Pi’õ Rómnha Ma’ubumrõi’wa, das coletoras Xavante é composto por mulheres coletoras e seus familiares, e destina todas as sementes coletadas para a restauração das áreas dentro e adjacentes à TI. Além de ser uma importante alternativa socioeconômica, o trabalho com as sementes é uma forma de se apropriar e proteger o território, ameaçado por invasões e intensamente desmatado.

Por: socioambiental.org