Publicado em: 16 de agosto de 2016

Artigo de Nalu Faria, coordenadora da SOF, no Politizando – Boletim do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Política Social (NEPPOS/CEAM/UnB).

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POLITIZANDO n.22 – Abr.2016

Introdução:

No Brasil sofremos um golpe. Um golpe no processo democrático que tem como objetivo inviabilizar um projeto político voltado para a garantia de direitos da maioria do povo brasileiro, fruto de um longo processo de organização de movimentos sociais e pardos de esquerda. No percurso do golpe testemunhamos inúmeras arbitrariedades. A fragilidade da nossa democracia ficou exposta na partidarização do judiciário, que agiu com um grau de seletividade espantoso. Vimos o oligopólio da comunicação avançar ainda mais no seu papel de organização da mobilização da direita, do julgamento e condenação sumários. Vimos crescer a intolerância. A elite querendo voltar décadas atrás e se manifestando para que os pobres, os negros e as mulheres “voltassem para o seu lugar”.

Sentimos na pele o crescimento da intolerância, dos ataques machistas e misóginos à presidenta Dilma. Uma verdadeira avalanche de agressões e ataques à presença das mulheres nos espaços de poder. O machismo está explícito na defesa da família heteronormativa, nos discursos e projetos de lei que negam a autonomia das mulheres sobre seu corpo, na permanente apologia à violência contra as mulheres, sejam elas deputadas, senadoras, presidenta ou cada uma de nós.

Esse é um golpe contra a classe trabalhadora em sua diversidade e organizado a partir de práticas patriarcais. Ele avança ao mesmo tempo sobre o conjunto de sujeitos políticos que vinham se afirmando na sociedade brasileira e de seus direitos. As primeiras medidas do governo usurpador de Michel Temer apontam para os retrocessos em todos os avanços que houve nos últimos 14 anos em relação às mulheres, negros e negras, população rural, juventude e trabalhadoras/es em geral.

Fonte: SOF