Publicado em: 31 de agosto de 2018

Entre os nomes dos vitimados pela estrutura racista do estado estão Bárbara Querino, Igor Barcelos e Marcelo Dias. Organizações pedem o fim das prisões e da violência

Por Thalyta Martins, do Alma Preta

No dia 13/09 acontece o ato pela liberdade de Bárbara Querino, Igor Barcelos e Marcelo Dias, a partir das 17 horas, em frente ao Tribunal de Justiça, na Praça da Sé, em São Paulo.

Organizações que montam a manifestação acusam o estado de punitivismo e racismo institucional contra jovens negros e pobres.

A reivindicação é pelo fim das prisões, da violência, da repressão e da polícia que mata, tortura e prende negros e pobres apenas por serem negros e pobres. “Vamos às ruas pela liberdade dos jovens negros presos injustamente e contra essa política de extermínio que quando não assassina, encarcera”, diz descrição do evento.

Conheça os casos

Barbara Querino (20), mulher negra, foi condenada a 5 anos e 4 meses de prisão por assalto a mão armada, crime que não cometeu. Fotos, vídeos e duas testemunhas provam que ela estava trabalhando como modelo na cidade de Guarujá, litoral de SP, no dia de um dos crimes. No outro dia, estava em casa cuidando dos irmãos mais novos. Um réu confesso também assumiu a culpa e garante que Barbara não teve participação alguma.

Marcelo Dias, homem negro, presidente da ONG Novos Herdeiros e membro da Soka Gakai Internacional (grupo filiado à ONU), foi condenado por formação de quadrilha e tráfico de drogas por estar próximo a uma cena de crime. No dia 9 de julho, enquanto entrava em seu carro para uma atividade da ONG, presenciou uma perseguição policial e, no momento, da fuga caiu um pacote drogas no chão. A PM retornou ao local e atribuiu a droga a Marcelo que foi apreendido. Ele está preso há 3 meses e teve um pedido de Habeas Corpus negado.

Igor Barcelos (20), homem negro, foi condenado a 15 anos e 6 meses de prisão por roubo de carro e tentativa de latrocínio de um PM em Guarulhos. Outro detido na ocasião confessou ter roubado o carro e afirmou que não conhece Igor. Além disso, o PM também não o reconheceu como autor da tentativa do crime contra a vida. Na noite dos ocorridos, em outubro do ano passado, Igor deu entrada no hospital do Jaçanã por ter sido baleado no tornozelo enquanto estava parado em um farol com sua moto. Ele foi abordado por um carro desconhecido que efetuou os disparos. Tudo isso ocorreu a 15 km de distância da tentativa de latrocínio do PM. Apesar dos protestos da família, jovem segue preso.

Assinam esse ato as organizações: Adelinas – Coletivo Autônomo de Mulheres Pretas; Campanha 30 dias por Rafael Braga; Coletivo Império de Candaces; Coletivo Juristas Femininas; Coletivo Negro Aya; Kilombagem; MAPP – Movimento Arte Plural Perus; Omnira; Passe Livre São Paulo; Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio; Ujima Povo Preto; e a UNEAFRO.

Serviço:

LIBERDADE AOS JOVENS NEGROS PRESOS INJUSTAMENTE
17 horas
Tribunal de Justiça de São Paulo
Praça da Sé

(Foto: Reprodução)