Publicado em: 7 de março de 2016

Entidades vão propor debate por uma cidade mais igualitária e com desenvolvimento sustentável a postulantes ao cargo de prefeito a partir de 2017

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ANTONIO MIOTTO/FOTOARENA/FOLHAPRESS

São Paulo – A sociedade civil pretende ter uma participação ativa nas eleições municipais de São Paulo este ano, com objetivo de comprometer os candidatos com propostas de redução da desigualdade e de desenvolvimento sustentável. A Rede Nossa São Paulo – composta por centenas de ONGs – vai realizar seminários e debates, apresentando mapas e estudos que auxiliem os candidatos a desenvolver programas de governo adequados às demandas da população. “O material está todo disponível. São anos realizando estudos. Temos, praticamente, programas de governo prontos”, disse Oded Grajew, coordenador da Rede.

As propostas apresentadas aos candidatos terão como base o Programa Cidades Sustentáveis – propostas de desenvolvimento que integram as dimensões social, ambiental e ética, estabelecendo uma economia includente, verde e socialmente responsável – combinando-o com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), agenda de metas a serem alcançadas pelas nações até 2030, aprovado no ano passado, com base nas discussões da conferência Rio+20, em 2012.

A Rede Nossa São Paulo vai lançar plataforma digital sobre o tema em 6 de abril, agregando novos objetivos. E os candidatos serão convidados a assinar o compromisso com o programa, como ocorreu na última eleição municipal, em 2012. Naquele pleito, o atual prefeito, Fernando Haddad (PT), e seus principais concorrentes, José Serra (PSDB) e Celso Russomano (PRB), também assinaram o documento.

Outro compromisso que a entidade vai cobrar dos postulantes ao executivo municipal é a adequação do programa de governo à Política Nacional de Mudanças sobre o Clima (Lei 12.187, de 2009). Em junho, a entidade vai apresentar uma avaliação sobre o cumprimento da capital paulista às adequações exigidas pela lei.

Também será apresentado aos candidatos o Mapa da Desigualdade, que expõe as diferenças entre os distritos da cidade, na presença do poder público em ações educacionais, culturais, esportivas, de saúde pública etc. “Sempre que apresentamos esses dados cobramos o poder público que é preciso ‘zerar os zeros’. Não é mais possível que uma região da cidade não tenha nenhum centro cultural, ou nenhum leito hospitalar. Os distritos da capital são maiores que muitas cidades brasileiras”, criticou Grajew.

Em agosto, a Rede vai apresentar um novo Mapa da Desigualdade, com balanço sobre os quatro anos da gestão Haddad. E também a avaliação da execução do Plano de Metas – realizações que o prefeito se propõe a concluir até o final de seu mandato. E vai cobrar dos candidatos à prefeitura, inclusive de Haddad, que deve concorrer à reeleição, que se atenham ao enfrentamento das desigualdades em seus programas de governo.

Fonte: Rede Brasil Atual