Publicado em: 9 de dezembro de 2014

Por Nana Medeiros
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No ano passado, grandes manifestações tomaram as ruas em diferentes Estados do Brasil. Às reivindicações iniciais, centradas nas tarifas do transporte público, se somaram diversas outras pautas, o que mobilizou grandes contingentes de pessoas.

Dentre muitas análises de conjuntura feitas após o ápice das manifestações, a ONG Casa da Mulher Trabalhadora (CAMTRA) apresentou uma perspectiva pouco explorada e, no entanto, essencial quando o propósito é contestar o modelo político vigente e a representação da população brasileira na política.

Em Olhares feministas sobre as mobilizações, a CAMTRA analisa o período intenso de manifestações populares a partir de uma perspectiva feminista e constata a invisibilidade das pautas relacionadas aos direitos das mulheres mesmo em um espaço de luta por justiça social em que houve grande participação de movimentos sociais e grupos de esquerda.

Segundo Julia Zanetti, colaboradora e membro do conselho fiscal da entidade, a publicação partiu de vários debates e rodas de conversa entre movimentos e organizações feministas realizadas durante o período das manifestações. No Rio de Janeiro, onde a CAMTRA está sediada, as reuniões entre mulheres que participavam das manifestações foram articuladas pelo Fórum Estadual de Combate à Violência Contra as Mulheres (FEM). “Percebemos que nossas pautas tinham pouca visibilidade e que o machismo se expressava de diferentes formas, seja em palavras de ordem ou na ausência de mulheres ocupando lugares de liderança”, afirma.

Apesar do caráter amplo, as manifestações mostraram-se contraditórias, ocultando, muitas vezes, as pessoas mais afetadas pela negação de direitos então reivindicados.

Segundo Zanetti, são as mulheres, principalmente as mais pobres, que mais sofrem com a falta de transporte público de qualidade. “São elas quem moram longe, na periferia, que passam mais tempo no transporte e, além disso, ficam mais vulneráveis à violência sexual quando circulam em espaços desertos e em horários noturnos.”

A abordagem machista da Polícia Militar em relação às mulheres tornou a pauta da desmilitarização da polícia exigência central do movimento feminista durantes os atos. Em caso amplamente divulgado na internet, uma jovem foi presa por desacato à autoridade ao questionar um policial que a assediou durante manifestação pela educação no Rio de Janeiro.

Mesmo com evidentes exemplos de opressão da mulher no período das manifestações, poucas foram as iniciativas sobre o assunto que não partiram das próprias feministas. Em ocupação da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, integrantes da CAMTRA exibiram um “varal feminista” com a mensagem “sem mulheres não existe revolução”, numa tentativa de chamar atenção para o tema.

Para Zanetti, um saldo positivo das manifestações foi despertar muitas jovens para uma participação mais engajada na luta pelos direitos das mulheres. “As mulheres nunca saíram das ruas, mas entendemos que as manifestações colaboraram para potencializar isso, no sentido de aproximar mais mulheres ao feminismo a partir daquela experiência. Foi um momento de conscientização e engajamento importante”, avalia.

Para acessar a publicação, entre em contato com:

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