Publicado em: 22 de janeiro de 2021

Em encontro virtual, conselheiros destacam preocupação com escassez de doses para imunização da população brasileira em larga escala

A mesa diretora do Conselho Nacional de Saúde (CNS) reuniu-se, nesta terça-feira (19/01), com presidentes e secretários (as) executivos (as) dos Conselhos Estaduais de Saúde (CES) e Conselhos Municipais de Saúde (CMS) das capitais. O objetivo foi fortalecer o diálogo sobre as ações de enfrentamento à pandemia, com principal foco nas estratégias para a campanha de vacinação contra a Covid-19.

Após a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial das vacinas CoronaVac e AstraZeneca, no último domingo (17/01), os estados começaram a receber doses de vacina na segunda-feira (18/01), data em que algumas capitais deram início à vacinação.

Ao todo, seis milhões de doses da CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, foram enviadas para os 26 estados e Distrito Federal. O número é bastante reduzido para atender o grupo prioritário da população, onde estão inseridos profissionais de saúde, idosos acima de 60 anos vivendo em instituições de longa permanência e indígenas.

“O Conselho Nacional de Saúde tem se posicionado pelo direito de toda população ter amplo acesso à vacinação”, afirmou o presidente do CNS, Fernando Pigatto, ao destacar as adesões do colegiado às campanhas Vacina para Todas e Todos e Abrace a Vacina, além da recomendação do CNS ao Ministério da Saúde, pela ampliação do plano de vacinação. “Obviamente ficou muito a desejar o plano que foi apresentado pelo Governo Federal, principalmente no que diz respeito aos grupos prioritários”, completa.

 

 

Escassez de doses

Segundo informações do El País, o primeiro lote de doses da CoronaVac deve ser suficiente para vacinar (com o protocolo recomendado de duas doses) apenas 2,8 milhões de pessoas. Isso corresponde a 4% dos usuários dos grupos prioritários estabelecidos no Plano Nacional de Imunização (PNI). Estimativas do Ministério da Saúde também consideram nesse cálculo a fatia que pode ser perdida por problemas durante a operação de logística. Quando comparado ao total da população brasileira, o número representa aproximadamente 1,4%.

Os conselheiros de saúde preocupam-se com as estratégias estabelecidas para vacinação e a escassez de doses para imunização da população brasileira em larga escala. “Vamos entrar em um momento crucial, que será pressionar o Governo Federal na sua obrigação de conseguir mais vacinas e insumos. Nós temos essa responsabilidade social com o povo”, afirma a coordenadora da Comissão executiva do CES Pernambuco, Lidiane Rodrigues Gonzaga. “Temos de estar atentos e fortes e resguardar o papel deliberativo do controle social. Não podemos baixar a guarda”, completa a vice-presidente do CES Rio Grande do Sul, Inara Beatriz Ruas.

Participação social

Alguns conselhos de saúde acompanham o plano de vacinação dos seus respectivos estados e municípios, participando dos espaços criados pela gestão para planejamento das ações de enfrentamento à doença. Mas em geral, a maioria dos conselhos estaduais e municipais tem encontrado dificuldades para isto.

 

“Pedimos uma reunião com o comitê de crise do Amazonas, que é formado somente por gestores, sem a participação de usuários e trabalhadores, e queremos cobrar que todas as ações sejam discutidas com o conselho estadual. Não nos informam nem ao menos como será o plano de vacinação”, afirma a conselheira estadual de saúde do Amazonas Luana Kelly Lima Santana, após apresentar a grave situação de saúde no estado.

“Fizemos vários esforços para participar do Comitê de Enfrentamento à Covid, mas a prefeitura não tem abertura com movimentos sociais”, denuncia a presidenta do CMS de Belo Horizonte, Carla Anunciatta.

 

Os conselhos de saúde seguem promovendo reuniões e organizando fóruns interconselhos para discutirem, acompanharem e fiscalizarem as ações realizadas pelos estados e municípios no combate à pandemia.

Medidas de prevenção

O controle social na Saúde também manifesta preocupação com o possível enfraquecimento das medidas de proteção, como o uso de máscaras, álcool em gel e isolamento social. “Há necessidade de ordenar um eixo único para estimular as medidas de prevenção, uma vez que o próprio Governo Federal incentiva o enfraquecimento disso”, avalia o representante da mesa diretora do CES Santa Catarina Alexandre Cunha dos Santos.

A reunião do CNS com os conselhos de saúde contou com a participação de aproximadamente setenta conselheiros estaduais e municipais. O próximo encontro virtual do CNS com os conselhos está previsto para março.

Ascom CNS