Publicado em: 2 de agosto de 2016

http://gife.org.br/wp-content/uploads/2016/08/em-movimento.jpg

Com a proposta de potencializar os caminhos de desenvolvimento e engajamento de jovens, diversas organizações que atuam com o propósito de inspirar e impulsionar a juventude se uniram para formar o ‘Em Movimento’.

A iniciativa, que conta com quatro frentes de ação, acaba de lançar o “Mapa Em Movimento”, uma plataforma criada para apoiar o jovem que está em busca de mudança. Para isso, o Mapa apresenta uma lista sistematizada das organizações, distribuídas por todo território nacional, que trabalham com projetos voltados à juventude.

Na plataforma, os jovens têm a oportunidade de procurar iniciativas de diferentes frentes: Formação (cursos, profissionalização, etc.); Experiências (vivências, voluntariados, etc.); e Encontros (workshops, eventos, etc.), por região do país ou áreas de atuação. Dentro de cada iniciativa, há mais detalhes sobre a proposta. Entre eles o resumo do projeto, local de atendimento, como se inscrever, como é o envolvimento/dedicação, contatos, se é paga ou gratuita, entre outros dados.

João Vitor Caires, diretor do Impact Hub São Paulo é um dos participantes do Em Movimento. Ele ressalta que a proposta é oferecer um espaço para que os jovens entrem em contato com as oportunidades de forma estruturada e se envolvam com as mesmas. Além disso, é permitir que as instituições que trabalham com juventude possam apresentar suas ações, se conheçam, troquem conhecimento e fortaleçam o trabalho umas das outras.

“É importante que as organizações saibam quem também está realizando iniciativas similares a sua. Saber quais são os desafios comuns enfrentados etc. Estes dados, inclusive, são insumo para as entidades financiadoras. Para que saibam onde e como direcionar melhor o seu investimento”, opina João.

Já estão disponíveis no site mais de 80 organizações cadastradas e 139 ofertas para o jovens. Outras interessadas em participar, que tenham iniciativas direcionadas a jovens com o objetivo de desenvolver o espírito transformador dos mesmos, podem entrar na plataforma e se inscrever. Em breve, será aberta, inclusive, uma seleção para grupos/coletivos de jovens interessados em gerenciar a plataforma. Eles serão responsáveis por manter a rede ativa e conquistar novas organizações para fazer parte também.

Panorama

O Mapa que está no ar atualmente é o resultado de uma pesquisa abrangente.  Ele faz parte da proposta do grupo em mapear o ecossistema neste campo. O que as organizações estão fazendo, como, para quem e onde? Quais são as oportunidades atualmente ofertadas para esses jovens mudadores de mundo? Como amplificar essa informação para mais gente? Onde há sobreposição na nossa oferta? Onde há espaço para inovação? Essas foram algumas perguntas que o mapeamento buscou responder.

A pesquisa foi realizada a partir da coleta de respostas a um questionário online. No total, foram mapeadas 139 oportunidades para os jovens, identificando características, anseios e desafios que estas iniciativas encontram. Dentre elas, a maioria (31%) oferece formação. Destes, 73% são programas gratuitos e exigem de 5 a 10 horas de dedicação dos jovens.

Pela perspectiva das iniciativas, os jovens que buscam essas ofertas fazem parte dos seguintes perfis: Atuante (está conectado, engajado); Curioso (buscando um primeiro contato); Em exploração (experimentando possibilidades); Buscando impulso (tem seus objetivos e está procurando apoio para si e seus ideais); e Jovens fora do radar (em situações especiais diversas).

A pesquisa identificou, por exemplo, que um jovem atuante, tem como principais motivações fazer a diferença no mundo, conhecer coisas novas e adquirir vivências e experiências. Estes são aqueles que buscam oportunidades como a “Escola de Jornalismo É Nóis”. Iniciativa que oferece ferramentas para que o jovem analise criticamente a mídia, estimulando a busca por informação e a investigação sobre diversos temas.

Segundo o levantamento, ampliar o repertório e visão do mundo são os maiores incentivos dos jovens que participam das ofertas mapeadas. Os temas que mais movem os jovens, de acordo com os programas pesquisados, estão ligados a vivências e conhecimento. Em todos os perfis, as maiores motivações são: adquirir vivências e experiências; conhecer coisas novas; aprofundar-se em um conhecimento; autoconhecimento e carreira e profissão.

Outro ponto comum em todos os perfis é que o foco dos participantes não é a certificação ou o empreendedorismo. Eles estão mais preocupados com questões sociais e conquistas pessoais.

“Percebemos que os jovens estão se movimentando muito, fazendo coisas. O que precisamos é justamente entender essa lógica, os caminhos que escolhem e as formas de atuação para poder ajudar. E isso passa pela autonomia, pela temporalidade, pela rapidez com que mudam. Características típicas da juventude”, comenta Ruth Goldberg, diretora executiva da Fundação ARYMAX, integrante do grupo Em Movimento.

Ação

 O “Em Movimento” conta com outras frentes de trabalho, além do mapeamento do ecossistema. A “ampliação do radar”, é uma delas, é visa levar estas iniciativas para mais jovens pelo país. Para isso, o grupo pretende realizar ainda em 2016 um festival, oportunizando que outros jovens possam ter acesso a diferentes experiências sociais, no campo das artes, literatura etc.

Outra frente é a de “Inteligência Coletiva”. Ela promove encontros de imersões entre organizações que apoiam os jovens para que possam refletir de forma coletiva, a fim de produzir conhecimento que provoque mudanças, evoluções nas práticas das organizações e das pessoas que fazem parte desse movimento.

O diretor do Impact Hub São Paulo relembra que esta ação, inclusive, foi a primeira a ser realizada pelo grupo, há cerca de três anos. “Foram em conversas como estas que percebemos que muitas organizações já estavam apoiando jovens a entrarem nesse campo de transformação social e empreendedorismo. Vimos que poderíamos nos unir para trocar mais a respeito e criar coisas juntas. A partir destas sinergias, inclusive, surgiram vários projetos colaborativos. A primeira ação enquanto grupo foi no final de 2014, em que promovemos várias ‘Juntadas’, em diferentes cidades do Brasil, como Curitiba, Brasília e Porto Alegre.  Nelas conectamos jovens e organizações para cocriar os futuros da cidade”, conta.

Por fim, a quarta frente de ação do grupo visa potencializar a sustentabilidade das organizações. A ideia é aprender sobre os obstáculos e os caminhos possíveis na mobilização de recursos por estas organizações. É também apoiar financeiramente estas ações e convidar mais investidores a se juntarem à causa.

Na avaliação da diretora da Fundação ARYMAX, essa experiência de trabalho coletivo tem sido muito relevante e oportuna para todas as organizações envolvidas. “É uma experiência muito boa, pois podemos compartilhar conhecimentos e nos apoiar. Esse é um diferencial incrível de colaboração no qual estamos todos apostando. Claro que há dificuldades em se atuar em grupo, mas a riqueza nesta relação de confiança e respeito, é muito positiva. Todos têm um propósito maior e comum”, ressalta.

Para o diretor do Impact Hub São Paulo, outro aspecto que tem sido um diferencial do grupo é a possibilidade de mudança na relação de financiador-financiado entre os projetos e investidores. “O processo, com esse contato próximo e pessoal entre as organizações, permitiu uma clareza maior do que estavam fazendo. Permitiu sinergias, de como unir esforços e, a partir daí, começou uma reinvenção do funcionamento da relação financiador-financiado. Criou-se um fluxo onde todas as organizações atuam num mesmo patamar”.

Atualmente, as organizações componentes do Em Movimento são: Artemísia, Ashoka, É Nóis, Fundação ARYMAX, Fundação Telefônica Vivo, Impact Hub São Paulo, Instituto Arapyaú, Instituto Elos e Red Bull Amaphiko.

Fonte: GIFE