Publicado em: 14 de março de 2017

Data é chamada de Dia Nacional de Paralisação e Mobilização e promete protestos contra as reformas da Previdência e Trabalhista do governo Temer

Por Kaique Santos, do Observatório

Diversas centrais sindicais convocaram paralisação para esta quarta-feira (15) em diversos Estados contra as recentes reformas propostas pelo presidente Michel Temer (PMDB). Algumas das mudanças previstas pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287 – da Reforma da Previdência –, em tramitação na Câmara desde o fim do ano passado, são a idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e também mulheres e contribuição por 49 anos para recebimento do benefício integral.

A Reforma Trabalhista é outra pauta que não dialoga com os movimentos sociais, sindicalistas e sociedade civil. Mudanças como a jornada máxima de trabalho, tempo de intervalo e flexibilidade nas negociações entre patrões/patroas e empregados/as estão na proposta apresentada pelo Ministério do Trabalho.

De acordo com Patrícia Pelatieri, coordenadora de pesquisas e tecnologia do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a Reforma Trabalhista enfraquece a organização sindical. “A proposta praticamente extingue os direitos conquistados com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), pois prevê que tudo pode ser negociado”. Para ela, as pessoas mais prejudicadas serão mulheres, empregadas domésticas, trabalhadores/as rurais e negros/as, que geralmente ganham menos e estão em postos de trabalho mais fragilizados.

Professores/as

Presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), a professora Maria Izabel Azevedo Noronha afirma que a Reforma da Previdência atinge em cheio as mulheres e cita o exemplo da mobilização do 8M. “Acredito que quando elas foram às ruas, mostraram força. E este dia 8 nos fortaleceu ainda mais para a mobilização de amanhã, que vai ser estupenda”, acrescenta.

Os/as professores/as da rede estadual também pedem reajuste do salário e ainda não decidiram se a greve continuará após o dia 15. Já o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal em São Paulo (Simpeem) decidiu, em Assembleia, que a greve se estenderá por tempo indeterminado. Os Sindicatos são contrários à Reforma do Ensino Médio, sancionada pelo governo Temer em fevereiro. A greve também será adotada por professores/as de Estados como Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), mais de um milhão de professores/as e profissionais da rede pública de ensino deve aderir à greve nacional.

Transportes

No setor de transportes, motoristas de ônibus e metroviários/as também aderiram à paralisação em diferentes Estados do País. Em São Paulo, os ônibus ficam indisponíveis até às 9 horas e o Metrô não funcionará por 24 horas. “A Assembleia deliberou pela paralisação e se reúne hoje para se organizar”, afirma Rodrigo Kobori, secretário de políticas sociais do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

Na tarde desta terça-feira, o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) disse que acionou a Justiça para tentar barrar a greve do Metrô. “O governo tenta responsabilizar o setor de transportes, mas esta é uma luta de todas as centrais sindicais para enfrentar as reformas do governo federal”, ressalta Kobori afirmando que Sindicato não foi notificado sobre a ação do governador até o momento da publicação desta matéria e que mesmo com decisão judicial, a paralisação será mantida.

(Foto Quadrada: Roberto Parizotti / CUT)

(Foto Home: Paulo Pinto / Agência PT)